Para refletir... por William Câmara


"Os homens que comem carne e tomam beberagens fortes têm todos um sangue azedo e adusto, que os torna loucos de mil maneiras diferentes. Sua principal demência se manifesta na fúria de derramar o sangue de seus irmãos e devastar terras férteis, para reinarem sobre cemitérios”. A Princesa da Babilônia, Capitulo III – Voltaire

A Dieta do Sadhu

Há muito, muito tempo atrás, havia um Sadhu que morava nas profundezas da floresta, vivendo de raízes e frutinhas, com a mente fixa na meditação.

Os pássaros e outros animais da floresta eram seus amigos, e qualquer um que passasse uma hora em sua presença experimentava uma sensação de profunda paz.

Com o passar do tempo, as notícias se espalharam a respeito deste Sadhu que transmitia paz e, mesmo o Rei daquele país, lá longe em seu palácio, veio para visitá-lo e ouví-lo.

Chegou à floresta com presentes e saudações respeitosas, e também foi abençoado pela experiência de uma serenidade inexpressável. A paz é o que os reis mais sentem falta e desejam.

O Rei veio outra vez e mais outra vez visitar o Sadhu. E, na terceira visita, pediu ao ermitão para vir morar com ele no palácio real. A princípio o Sadhu recusou.

Mas depois de insistentes súplicas, concordou com o Rei e acompanhou-o à cidade, onde foi recebido com grande respeito por todos.Foi-lhe dado um quarto perto do rei, e o próprio Rei e a Rainha cuidavam dele, para se assegurarem de que todos os seus desejos fossem satisfeitos.

Depois de ter vivido assim no palácio por vários meses, aconteceu que, um dia, quando a Rainha foi se banhar, tirando de seu pescoço um de seus magníficos colares de diamantes, colocou-o de lado, esquecendo-se dele quando deixou a casa de banho.

A pessoa que entrou a seguir foi o Sadhu. Ele viu o maravilhoso colar jogado lá, colocou-o dentro do casaco e deixou o palácio sem falar com ninguém.

Passado algum tempo a Rainha sentiu falta do colar e lembrou-se de onde o tinha deixado. Mandou uma criada procurá-lo, mas nada foi encontrado. Investigações logo revelaram que a única pessoa que havia estado na casa de banho depois da Rainha tinha sido o Sadhu.

E que ele não estava mais no palácio. A Rainha ficou muito perturbada e insistiu para que o rei mandasse seus soldados pegarem o ladrão.

Porém o Rei disse:

- Querida senhora, ainda me lembro da maravilhosa experiência de paz que tive na presença do nosso querido Sadhuji. Estou convencido de que é um homem genuinamente santo. Se ele tirou o colar, deve ter tido boas razões para isso. Sem dúvida, era um belo colar, e muito valioso, mas você tem outros. Acalme-se e vamos ver o que vai acontecer.

Uns poucos dias mais tarde, o Sadhu retornou, pediu uma audiência ao rei e devolveu o colar, com muitas desculpas abjetas.

O rei ficou atônito:

- Querido Sadhu, - perguntou, - sabendo que lhe daríamos alegremente tudo aquilo que desejasse, por que se apossou do colar? E depois de roubá-lo, por que vem devolvê-lo de modo tão servil? Por favor, faça-me entender o ensinamento que quer nos transmitir por essas estranhas ações.

- Oh, Rei, - replicou o Sadhu, - o senhor tem sido muito bom para mim. As explicações são muito simples. Durante vários meses vivi aqui em seu palácio, alimentando-me com sua comida. Desse modo, as impurezas do mundo entraram em mim e caí na inconsciência da ambição e da ingratidão. Após deixar o palácio, fui para floresta e a primeira coisa que comi foi uma certa fruta que tem propriedades purgativas.

No passado, ela não costumava me afetar, mas dessa vez meu corpo todo passou por uma dolorosa purificação. Quando voltei a mim, avaliei o que tinha feito e resolvi voltar ao palácio tão rápido quanto minha condição enfraquecida permitia. Isso é tudo. O senhor mostrou-se generosa em seus pensamentos e em suas ações. Na sua generosidade, permita-me agora retornar ao meu próprio lugar e à minha dieta.

Fábulas e lendas da Índia/ tradução Thalysia de Matos Peixoto Kleinert, Shakti Editora.



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