Tão perto, mas tão longe – Uma teoria por William Câmara


Tão perto, mas tão longe - Uma teoria

  Os seres vivos continuam vivos por conseguirem se alimentar, reproduzir e se defender. Cada espécie desenvolveu mecanismos próprios para manter sua integridade.   Nas plantas elas criaram perfumes e cores que chamam insetos para a polinização, galhos altos para que suas folhas não fossem comidas, espinhos e tantas outras engenhosidades.   Já os animais desenvolveram um aparato incalculável de ferramentas para sua sobrevivência. Comum sem número de adaptações corporais para bem desempenhar sua sobrevivência e reprodução, que não deixa de ser uma forma de sobreviver.   Dentre estes mecanismos de sobrevivência existe o emocional, muito estudado em humanos e primatas. É através deste mecanismo que nós criamos laços que nos mantém unidos em bandos. Aos quais fomos aprimorando até um nível de complexidade que desfigurou o intuito inicial e hoje chamamos de civilização.   Um amontoado de milhares de dezenas de pessoas que vivem uma sobre as outras, separadas apenas por 20 centímetros de paredes. Que representam um abismo entre dois seres humanos que cruzam o caminho um do outro todos os dias e o único laço que os une é um cumprimento cordial de bom dia.   Não precisamos de muita coisa para concluir que o que nos une é um conjunto de afinidades que nos reúnem em grupos. A sociedade humana criou uma complexa rede social que extrapola a necessidade básica de sobrevivência.   Como nossas colméias são grandes, os únicos inimigos naturais que temos são microorganismos e nós mesmos. Vírus e bactérias nós não vemos. Não consideramos nós mesmos como ameaças. Logo, consideramos que não temos predadores e sem eles o vínculo social não tem mais função. Talvez seja por isso que vivemos tão perto e ao mesmo tempo tão longe um do outro.   Contudo, está gravado em nossa programação genética o grupo, a sociedade. Então criamos pequenos grupos de infindáveis coisas.   Grupo do trabalho, da família, do clube, do esporte. Nestes pequenos grupos podemos ver o mesmo comportamento primata de nossos primos simeos. Onde há o líder que guia o bando, os machos ficam exibindo suas habilidades para imprecionar as fêmeas, os mais novos observando os mais velhos para aprender como se faz, entre outras coisas.   Enquanto os simeos fazem isso em um só bando, nós migramos entre vários bandos. Que preferimos chamar de roda de amigos, pessoal do trabalho e outros nomes que só mascaram a nossa real imagem: somos animais sociais.   Inteligentes e super adaptados, mas animais que apesar de toda essa riqueza e abundancia se sente sozinhos. Apesar de poder dormir confortavelmente em uma cama macia sem predadores por perto. Apesar de ter comida farta a sua disposição, apesar de estar rodeado de pessoas em todos os lugares.   Apesar disso, este indivíduo é capaz de entrar em um recinto cheio de outros humanóides e ainda assim se sentirá sozinho e desconectado. Este sentimento de desconexão está ligado a nossa suposta segurança dada pela sociedade.   A falta de predadores que nos levou a restringir cada vez mais o grupo. Sem a necessidade do bando nos isolamos. Não aprendemos como viver em grupos onde um olha o outro e um tira parasitas do pelo do outro.
  Marco Carvalho Saiba mais em: swasthya.marcocarvalho.com  


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