Ashtanga Yantra

ashtanga-yantraO ashtánga yantra é o simbolo do SwáSthaya Yoga, o Yoga Antigo. Suas origens remotam ás mais arcaicas culturas da India e do Planeta. Parte de sua estrutura é explanada no Shástra Yantra Chintamani. Nessa obra clássica, sob a ilustração consta a legenda: “Este é o yantra que detém a palavra na boca do inimigo”. Constitui um verdadeiro escudo de proteção, lastreado em arquétipos do inconsciente coletivo.

Como qualquer escudo de proteção, não pode ser usado como arma de ataque. Assim, ninguém conseguirá utilizá-lo para fazer mal a pessoa alguma. No entanto, se alguém agredir um protegido pelo ashtánga yantra, ferir-se-á gravemente. Por isso, quase todas as pessoas que usam o verbo para atacar o portador do ashtánga yantra costumam colher tão amargos infortúnios.

Ao reproduzi-lo, atente para o fato de que nas extremidades dos trishulas não há pontas angulosas, mas sim curvilineas. Para respeitar rigorosamente seu traçado, ao inves de o redesenhar, fotolite ou escaneie a ilustração acima.

 

“Amigo e inimigo são como yin e o yang: precisamos dos dois. Uma árvore cresce para baixo e para cima. Para baixo, cria raizes, que se desenvolvem nas trevas, mas sem as quais a árvore nao teria força nem estrutura para manter-se de pé. Os inimigos são as raizes e os amigos, os ramos que a fazem florescer.”

 

– DeRose

 

Extraído do livro Tratado de Yôga, DeRose, Editora Nobel.

A verdade

A verdade

Na Espanha do século XVIII a adolescente Inés Bilbatua, após torturada pela igreja, declarou falsamente ser uma herege, permanecendo quinze anos presa. Este é o retrato do filme Sombras de Goya, do diretor Milos Forman, baseado em fatos reais. Não apenas naquele período, como em muitos outros na história da humanidade, muitas pessoas foram obrigadas a declarar inverdades após passarem por longos períodos de intensa tortura. A ditadura, no Brasil de 60, foi assim.

Após assistir este filme, fiz uma reflexão do papel da verdade em nossa sociedade. Assim como Inés, eu e outras muitas pessoas que conheço e as que desconheço, pelo menos uma vez na vida, usamos de inverdades para solucionar alguns problemas, que de outra forma, jamais conseguiríamos fazer.

No caso da atriz Natalie Portman, sua personagem foi brutalmente torturada para que isso ocorresse. No meu caso e de outras muitas pessoas, nunca aconteceu algo semelhante, porém mesmo assim, sempre que possível, usamos deste artifício.
Se pararmos para pensar o quão comum é esta atitude, entenderemos porque a sociedade aceita tão facilmente esta situação.

Falar a verdade, pura e simplesmente, pode ser, em alguns casos, motivo para conflito. Muitos não gostam de falar e outros de ouvir e encará-la. Em algumas ocasiões, a verdade muda radicalmente o rumo das coisas, e isso “congela” as pessoas. Preferem esconder-se em uma mentira a encarar o problema.

O que é a verdade?

Antes de achar que você e ela caminham lado-a-lado, pare e pense o quão lúcido se encontra. Há diversas verdades e há uma realidade. É fácil acharmos que estamos certos, mas a realidade nos mostra, muitas vezes, que podemos estar errados. Eu me incluo aqui. O ponto principal então, é sabermos discernir e digerir os fatos, antes de criarmos nosso ponto de vista.
Esta questão é tão importante, que no Código de Ética do Yôgin, uma das normas, que no sânscrito denomina-se satya, consiste no emprego da verdade, sempre. Inclui não omitir, distorcer ou equivocar-se perante os fatos. Começa com transmitir de forma autêntica a filosofia que ensinamos e se estende à forma como conduzimos nossas vidas e é de extrema importância saber expressá-la, evitando a falta de tato ao utilizá-la.

Na semana passada um amigo colocou no Facebook ” será que alguém escreve aqui o que realmente pensa?”. Gostei muito da sua colocação, pois muitas pessoas preferem não sair da zona de conforto que se encontram, preferindo ser amadas a criticadas.

O simples fato de emitirem uma opinião, as deixam muito expostas. “Será que eu já posso enlouquecer ou devo apenas sorrir?”. Na dúvida entre o pop ou o erudito, citei um trecho da música da cantora Pitty que toca no rádio. De alguma forma estou me expondo, correto? A gosto ou contragosto, utilizando a sutileza, precisamos expor nossa opinião, gerar discussão positiva, criar massa crítica e não apenas sorrir e calar-se.
Vivemos em um momento em que a internet nos dá a opção ” No que você está pensando agora?”, porém ainda tememos expor nossas ideias, assim como na Espanha do século XVIII, ou na Alemanha de Hitler, ou nos anos de chumbo no Brasil, na China de Mao, etc. A diferença é que hoje não somos mais queimados em praça pública para que todos possam presenciar.

Hoje a internet tem esta função. Mas não tenhamos medo. O mais importante é conduzir a vida usando a verdade e a sensatez. Alguns gostarão, outros desgostarão. Não importa! Os frutos da sua autenticidade consciente sempre serão colhidos.

Por Tatiana Marcondes